"Amar é arrancar o coração e jogá-lo sangrando no colo de outra pessoa. Virar as costas, sair andando com um buraco no peito e não conseguir sentir nada além de alegria." DM
Eu quero começar meu texto com esses versos que escrevi porque, do meu ponto de vista (alguém que nunca foi mãe), a maternidade é sobre arrancar o próprio coração por seus filhos e se sentir extremamente feliz por fazer isso.
Não estou querendo colocar nenhuma áurea mágica e divina em torno da maternidade. Eu imagino que seja muito difícil e completamente cansativo. Só que sou uma apenas uma leiga que observa Mães com um olhar de expectador.
Digo isso porque eu admiro este papel. Admiro o poder transformador da maternidade, na vida de algumas pessoas que fazem parte do meu convívio social. Peço licença a uma dessas pessoas para relatar uma pequena crônica, sem citar nomes. Só quero que o meu leitor experimente por meus olhos como a maternidade tem uma força tão grande, que até um leigo consegue sentir.
Uma amiga minha descobriu que seu filho tinha uma condição médica que exigia cuidado e atenção em tempo integral. Eu acompanhei, da mesa onde trabalho, a saga dessa mãe se desdobrando entre a casa, o filho, o trabalho e os médicos. Muitos médicos. Mas, como eu disse, sou apenas uma expectadora externa e posso ser insensível na maior parte do tempo.
Certo dia, sem notar, fui insensível com a minha amiga e ela simplesmente desabou em minha frente. Ela começou a chorar. Na hora eu tinha duas opções: 1- julgá-la do lugar distante onde eu estava. 2- me preocupar se havia algum motivo maior para o choro. Adotei a segunda opção e me deparei com uma mãe que tem problemas maiores do que chorar só por causa de uma jovem estressada com o trabalho.
Ela chorou porque estava cansada. Frustrada por não se sentir uma mãe 100% atenta e presente na vida de seu filho que passava por momento delicado de saúde. Eu a admirei tanto naquele momento. Pois sabia que eu mesma não seria capaz de fazer metade das tarefas que a via fazendo.
No entanto, era verdade. Ela estava cansada. Ela tem o direito de estar cansada. E eu tenho o dever de apenas ouvi-la. Continuei ouvindo até o dia em que ela engravidou pela segunda vez. A preocupação em seus olhos era nítida. Um outro filho, o dobro de atividades. Seus pensamentos e preocupações de mãe estavam tão claros como água cristalina para mim. Por um momento eu questionei a áurea espiritual da qual tanto falamos na maternidade.
Mas, no dia em que ela fez um chá para saber o sexo de seu segundo filho, o sorriso enorme de uma mãe feliz e pronta para encarar mais esse desafio, mesmo com o pés inchados de cansaço, foram um alerta para mim. Há coisas na vida que, como a Maternidade, têm o místico poder de nos fortalecer. Não conseguimos explicar como conseguimos. Só sabemos que, mesmo com o coração fora de nosso peito, continuamos caminhando felizes. Alguns chamam de Vida. Eu prefiro a palavra Amor.
- Denize Mesquita

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