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O grande medo do Feminismo

Eu não quero falar aqui da polêmica Kéfera-Luba. Quero falar da minha vivência, por meio dos momentos em que pessoas me interromperam pra debochar de um movimento do qual assumidamente faço parte. E, quase sempre (na verdade, é sempre mesmo), essas pessoas não querem apresentar argumentos, nem dialogar. Elas não aceitam que seus erros sejam apontados, e tratam tudo que você fala como ofensa. 
A verdade é que ninguém que sentar e ouvir, ou ler. A pessoa só quer atacar e isso tem me incomodado muito porque ontem postei uma imagem com a seguinte frase: "Ame teu corpo do jeito que ele é, Deus te fez mulher, não uma Barbie." e um homem não pensou duas vezes pra vir me responder com a seguinte pergunta: "Então ninguém pode ficar descontente com o corpo?". Quando eu me coloquei disposta a dialogar, ele fugiu e apenas riu, deixando nítido o que a maioria das pessoas faz: elas fogem porque temem o diálogo e um movimento que mostra empoderamento e libertação para milhares de mulheres. 
Por que esse medo? Por que tantos ataques ao movimento? Por que tantas pessoas se incomodando com este movimento? Foram essas as perguntas que comecei a me fazer. Será que esse "ranço" com o movimento feminista é apenas culpa de feministas que algum dia agrediram verbalmente alguém, como colocado pelo rapaz Wallace? Comecei a refletir sobre tudo isso, porque eu também gosto de ouvir e também sou contra agressões verbais. Sempre tentei dialogar e sempre fui atacada. Por que? Muitos porquês. 

Manifestação de mulheres contra a violência masculina em Santiago, Chile, em 19 de outubro, 2016. (Foto: REUTERS/Ivan Alvarado)

Cheguei a uma conclusão que não definitiva, mas é um começo. As pessoas temem mulheres seguras de si ao ponto de não precisarem de nada além delas mesmas para que decidam o que querem. Por muitos anos nos disseram como casar, como ter filhos, como arrumar nosso cabelo, como olhar os pelos de nosso corpo e até mesmo como sentir nossos orgasmos. Portanto, é assustador notar que este grupo, baseado em um gênero construído socialmente, não precise mais dessas direções pré-existentes. É assustador saber que uma mulher agora pode desistir de um noivado, e seguir sua vida feliz, sozinha ou com outra pessoa, porque ela  decidiu não se sentir culpada por quebrar com o compromisso e a promessa de um casamento. Ela simplesmente levantou e não se importou com ninguém além de si mesma, pela primeira vez em sua vida. 
Aliás, importar-se apenas com si mesma pode parecer egoísmo, mas é o grito de liberdade para mulheres que por anos aguentam agressões de seus maridos, porque se importam com seus filhos. Há mulheres que seguem tudo o que seu pai lhes disse porque se importam com sua família. Mulheres que aprenderam que seus instintos, justificados pela biologia, deveriam ser direcionados apenas à proteção e ao cuidado do outro.

Essas mulheres que, agora, são condenadas, apontadas como assassinadas frias e egoístas, são mulheres que por anos ouviram os os outros e nunca a si mesmas. É assustador saber que uma mulher pode simplesmente renegar um filho porque ela se colocou como prioridade. Essas mulheres ouvem muito:" É ultrajante, é contra Deus, é monstruoso", enquanto homens que caminham de forma livre e separada de sua família raramente vivenciam os mesmo ataques. 
Concluo que a sociedade, melhor, o machismo construído por milênios nesta sociedade, teme a mulher que saber dizer "Eu quero." Desejo a essa essa sociedade, também substantivo feminino, libertação das amarras impostas por um grupo desesperado ao notar, agora tarde mais, que não há como parar mulheres livres. 

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